A evolução das telecomunicações no Século XX favoreceu a expansão da televisão e a chegada da internet, beneficiando a comunicação audiovisual muito além do teatro e do cinema. Milhões de pessoas passaram a tomar contato com informações e experiências antes restritas a livros e relatos. Conhecer o mundo ficou mais simples.

Apesar deste avanço, uma parcela significativa da população não usufruiu imediatamente dos benefícios trazidos pelas novas tecnologias. Especialmente cegos e surdos tiveram a acessibilidade comprometida porque não havia uma solução disponível para auxiliá-los no entendimento de novelas, filmes e telejornais, por exemplo.

Felizmente, nos últimos quinze anos este público passou a ser reconhecido pelo governo, emissoras e produtores audiovisuais em geral. Leis e normas estabeleceram metas para adoção das Legendas Descritivas (Closed Caption), da Audiodescrição e da Janela de Libras, permitindo que todos pudessem compreender e desfrutar integralmente de vídeos, filmes, espetáculos e eventos. A qualidade destes serviços também foi normatizada para atender aos quase 10 milhões de cidadãos brasileiros com cegueira e surdez, conforme dados do IBGE.

Audiodescrição: Compreensão integral

Fundamental no auxílio aos cegos, a Audiodescrição está presente em grande parte dos programas de televisão, filmes e eventos. Em essência, ela é uma narração complementar que descreve sons, elementos visuais e informações relevantes para possibilitar a melhor compreensão por pessoas com deficiência visual. Para ativá-la, é necessário acessar um canal de áudio secundário, através do controle remoto ou menu.

Desde 2009, a empresa brasileira ShowCase provê tecnologias para implantação da acessibilidade em emissoras de televisão aberta, além de prestar serviços para produtoras, canais pagos, espetáculos musicais e congressos. Este compromisso de garantir a acessibilidade de conteúdos audiovisuais a todos os públicos envolve mais de 100 colaboradores, como é o caso da universitária July Carelli de Lima, estagiária em produção audiovisual na ShowCase e que há um ano realiza audiodescrições.

Ao entrar na empresa, July conheceu todas as áreas do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da ShowCase em Campinas (SP) e se identificou com a Audiodescrição. Todos os dias ela participa remotamente das transmissões ao vivo feitas pela RecordTV. “Eu complemento a narrativa principal, traduzindo em palavras o que estou vendo. Isso ajuda a compor a imagem, tornando o conteúdo mais acessível”, explica. Tudo é realizado conforme um padrão previamente estabelecido, que define um vocabulário padrão e a ordem de prioridades do que precisa ser descrito.

Com a absoluta atenção às falas, ambientes, cenários e até roupas, July desenvolveu a habilidade de prever quando haverá um breve intervalo para falar sem sobrepor as vozes. “As transmissões de telejornais são as mais desafiadoras, porque as imagens são muito rápidas e tudo é importante. Eu preciso ser muito sucinta para acompanhar”.

Por ser estudante de jornalismo e fazer teatro, a estagiária July acredita que desenvolveu um bom vocabulário para dar conta da variedade de descrições que precisa realizar. “A Audiodescrição mudou a minha percepção sobre o acesso ao audiovisual. É um meio de comunicação que também ajuda a informar”, finaliza.

July Carelli de Lima também trabalha em conteúdos pré-gravados, como filmes, seriados, novelas e aulas, roteirizando em detalhes a Audiodescrição.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You May Also Like

Emissoras públicas reafirmam compromisso com a acessibilidade

Criada à semelhança do canal norte-americano C-Span, a TV Senado está no…

Obra debate o futuro do direito autoral na era do TikTok

Dublar áudios de terceiros, utilizar memes com imagens de pessoas anônimas e …

XF605: Uma câmera para usar na rua e no estúdio

“No documentário e no jornalismo, você precisa conseguir filmar com o clique…

AVer integra NDI em câmeras PTZ

A fabricante incorporou a tecnologia de conectividade NDI HX2, da NewTek, aos…